Sou um felino doméstico. Vagabundo ou não, ando por aí.
Adoro muros e telhados alheios.
Namoro de madrugada – a lua e a gata.
Faço poesia e muita prosa.
Sou cinzento na cor e colorido na alma.

25/01/2016

Quentura



Era dia de sol quente. O céu estava limpo de nuvens e se mostrava profundo e inalcançável.  O sol ardia os olhos e abrigava o silêncio. Estava tudo parado, exceto as batidas do coração e a respiração profunda de quem procurava ar para sobreviver. Era um dia de sol quente, um dia de preguiça à sombra de uma árvore qualquer.
Deitado no piso frio da sala, o gato sonhava esparramado com as pernas para o ar. Bicho é assim mesmo. Criança também. Eles não se importam com as convenções sociais.
Deitado no piso, como o gato, ele sorria ao lembrar-se de passagens de sua infância.
No chão frio, no meio da sala, o gato e seu dono sorriam. Não há ninguém naquela tarde calorenta e calma pra chamá-los de bichos preguiçosos.

Eles Sorriram até cair num sono profundo e merecedor.  

5 comentários:

✿ chica disse...

Lindo e deu pra imaginar muito bem a cena..bjs, chica

Dilmar Gomes disse...

Belo texto poético, meu caro amigo. Um abraço daqui do sul do Brasil. Tenhas uma ótima semana.

Lourisvaldo Santana disse...

Esta frase ficou linda:

"Não há ninguém naquela tarde calorenta e calma pra chamá-los de bichos preguiçosos."

Disse tudo.

Abração!

Rui Pires - Olhar d'Ouro disse...

Bonito texto!
Linda foto, curioso momento!

MARILENE disse...

Que belo texto! Os bichos e as crianças não se policiam. Quando nos permitimos agir como crianças voltamos a sorrir, gostosamente. Abraço.